A  ILHA

 

A FREGUESIA DA ILHA NA SUA HISTÓRIA

 

      Numa extensa planície entre os rios Mondego, a norte, e o Liz, a sul, e equidistante do mar e da serra de Sicó, está situada a freguesia da Ilha, Concelho de Pombal. Filha dileta da Mata Mourisca e, por sua vez, neta do Louriçal, delas participa numa história em comum.

      Na Idade Média, por foral de 1142 foi dada, por D. Afonso Henriques, a Leiria, onde apare­cem delimitadas estas terras planas, cobertas de matagal bravio, "que a norte avançam para poente, indo da lagoa da Ervedeira até ao mar e de Louriçal a Leiria". Mais tarde, em Dezembro de 1166, estas terras são transformadas em couto e doadas ao rico e poderoso Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra, com o fim de serem protegidas das constantes investidas mouras. A preocupação da Monarquia era, também nesta zona, defender e povoar, povoar para defender. A pacificação definitiva chega em 1195 com D. Sancho I que celebra um tratado com a mourama, entregando-lhes Silves, no Algarve, em troca da paz neste corredor entre Leiria e Coimbra.

      Mas não foi fácil o povoamento nestas zo­nas. Segundo o cadastro da Estremadura de 1527, todo o Concelho de Pombal de então era habitado por 516 moradores.

      Sobre a denominação toponímica de "Ilha" não há informação; entretanto, convém recordar que, em documentos antigos, a Vila do Louriçal é referida como "porto do Louriçal", permitindo pensar na navegabilidade da Ribeira de Carnide e, um pouco mais próximo, conhecemos o lugar de "Porto Lameiro".

E é Manuel da Costa Cintrão a dizer-nos que a Ribeira de Seiça era navegável até à Marinha das Ondas. Alguma conotação existirá com este nome comum de "Ilha" já que, por associação, outros nomes envolventes guardam um conservadorismo toponímico como Mourisca, Espinheiras, Sobreira, Moitas Brancas, Ramos, Silvas, Seixo, Pedrogueira, Leiroso, Chã, Lameiro, Lagoas, Oliveirinha, Nasce Água, Água Formosa, Águas Belas, etc., que induzem uma ligação forte com nomes a lembrar o motivo da sua origem.

     Uma coisa parece certa: a Ilha não terá sido povoada antes do século XVI, pois ainda em 1757, toda a freguesia de S. Mamede de Mata Mourisca não tem mais de 233 fogos. Mas se a Ermida de S. João foi erigida na Ilha em 1677 e em 1709 é conhecido o Pe. José Pedrosa como daqui natural, pode concluir-se que o seu povoamento se tenha iniciado nos primeiros quartéis do século XVII.

      Hoje, contudo, olhamos para esta autarquia jovem e sentimos orgulho dum Povo que, desde  a sua origem, tem mostrado uma luta interessante e digna de respeito. Gente laboriosa, solidária e audaciosa, lutou sempre pelos seus direitos e deveres, de tal maneira que foi no associativismo que conseguiu os melhores resultados.

Foi assim que um grupo de rapazes, com vinte anos apenas, fundou em 1924, a Filarmónica llhense, levando longe, desde então, o nome da sua terra; na década de 1950, uma Comissão de "homens bons" reuniu as vontades e pugnou, dentro e fora, por melhores caminhos e vias de comunicação. Com o mesmo espírito de unir as pessoas é criado em 1971 o Rancho Etno Popular da Ilha. E é ainda com o mesmo sangue que no segundo quartel do século XX muitos jovens saem a transbordar vida ou à procura de mais, para Seminários, Escolas, Cultura. Sendo pequena a Freguesia da Ilha é, por certo, maior a sua alma. Alguma da razão deverá encontrar-se na qualidade das Professoras da Escola Primária que aqui estiveram desde 1931 e na convocação da Igreja sempre presente desde o seu início e na qualidade dos seus Pastores.

       Solidária e empreendedora, soube agregar as gentes vizinhas e construir bases para o bem comum: em 1972 é delimitada a área do Campo para o Grupo Desportivo; em 1978 é inaugurada a sede da Filarmónica e o Centro Clínico; uma Igreja e salão paroquial e recreativo são construídos no centro geográfico, que são dos mais amplos da Diocese de Coimbra; mais duas belas e espaçosas Capelas são erguidas em lugares mais periféricos; em 1994 é inaugurado o edifício da sede da Freguesia e Centro de Saúde; em 1996 realiza-se a 1a Feira de Mostras Económicas e Gastronómicas, com data cumprida todos os anos.

     Assim, o reconhecimento da sua maioridade chega naturalmente em 24 de Junho de 1989 pela erecção em Paróquia de S. José pelo Bispo de Coimbra e é aprovada pela Assembleia da República como Freguesia Civil em 30 de Junho de 1989.

    A electricidade, a água ao domicílio, uma vasta rede de estradas, um Posto Médico e Farmácia, uma instituição financeira, escolas do 1o Ciclo, duas Casas de Repouso, uma Creche e serviço domiciliário para idosos, são bens essenciais já presentes nesta Freguesia. A Ilha, com cerca de 2000 habitantes, no trabalho vive e convive. Ocupa-se principalmente no sector primário, na agricultura, na silvicultura e em alguma pecuária. Também os materiais de construção e oficinas têm razoável ocupação. Já tem algum significado a população activa que trabalha fora da terra.

Hoje pode dizer-se que é bom viver na Ilha. Também os seus filhos que escolheram a emigração aqui voltam para descansar ou de visita, e se sentem muito bem. A hospitalidade das suas gentes é uma das suas virtudes maiores reconhecida pelas pessoas amigas que visitam esta terra bendita. Contudo, "o sonho comanda a vida" e é importante que esta pequena Freguesia continue a trabalhar, a estudar e a sonhar...

HISTÓRIA CRONOLÓGICA DA ILHA

 

          Artesanato :

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Manel Grilo 2007-2017